Vantagens da Cooperação

A união da ONU com o cooperativismo brasileiro

O diretor social da Organização das Nações Unidas, Maxwell Haywood, reuniu-se, no último 6 de março, em São Paulo, com líderes do cooperativismo mundial e autoridades brasileiras no Seminário Internacional “O Cooperativismo e os Objetivos de Desenvolvimento SustentávelCombinando Impacto Econômico e Social por um Futuro Melhor”.

O objetivo do evento – promovido pelo Sistema OCB/Ocesp e pela Unimed do Brasil, com participação da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) – era discutir um plano de ações para os próximos anos, a fim de contribuir para a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas em 2015.

A Agenda 2030 da ONU é formada, exatamente, por esses 17 Objetivos. Um documento que é fruto do trabalho de governos e cidadãos de todo o mundo para criar um novo modelo global de conduta, capaz de acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar de todos, proteger o meio-ambiente e combater as alterações climáticas. Conheça detalhadamente:

– Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU

1 – Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares;

2 – Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável;

3 – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades;

4 – Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos;

5 – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas;

6 – Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos;

7 – Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos;

8 – Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos;

9 – Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação;

10 – Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles;

11 – Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis;

12 – Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis;

13 – Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos;

14 – Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável;

15 – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade;

16 – Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis;

17 – Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

 

– Contribuições do cooperativismo brasileiro

Durante o Seminário Internacional, Márcio Lopes de Freitas, comentou que: “Se analisarmos o cooperativismo com profundidade, veremos que seus valores e princípios podem ser traduzidos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas”.

Essa afirmação do presidente da OCB pode ser confirmada por diversos fatores. Para começar, os sete princípios básicos do cooperativismo, que servem de diretrizes para o funcionamento das instituições cooperativas, condizem perfeitamente com as metas da ONU. Veja:

1 – Adesão livre e voluntária, sem discriminação social, racial, política, religiosa ou de gênero;

2 – Gestão democrática por todos os membros;

3 – Participação econômica;

4 – Autonomia e independência;

5 – Educação, formação e informação;

6 – Intercooperação; e

7 – Interesse pela comunidade.

Leia também: Os princípios do cooperativismo e os valores humanos

Assim, muito mais do que um simples modelo de negócios, o cooperativismo propõe uma nova forma de pensar coletivamente. Cooperando, a gente cresce, consegue atingir resultados melhores e ir mais longe.

E o modelo cooperativista não é interessante apenas em seus preceitos. Na prática, os números demonstram que o cooperativismo funciona e, mais que isso, excede expectativas.

 

Só para exemplificar: você sabia que, atualmente, quase metade (46%) de toda a produção do campo brasileira passa de alguma forma por uma cooperativa? Aliás, o cooperativismo é responsável por quase 11% do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário brasileiro. Além disso, sabia que, em mais de 400 cidades brasileiras, cooperativas de crédito são as únicas instituições financeiras disponíveis? Outro exemplo são as cooperativas de infraestrutura que distribuem energia a inúmeras cidades onde as concessionárias tradicionais de luz e energia não atuam diretamente.

As cooperativas contribuem para melhores condições de produção e trabalho, para o ganho de escala e competitividade. Economicamente, facilitam o acesso ao crédito, promovem a inclusão socioeconômica, geram empregos (mais de 370 mil vagas em todo o país) e estimulam uma melhor distribuição da renda. Isso só para citar alguns dos benefícios do modelo.

O próprio Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon destaca que as cooperativas desempenham um papel importante em muitas sociedades. Acreditamos que elas possam dar contribuições significativas para o Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em termos de geração de emprego, erradicação da pobreza, redução da fome e da desigualdade”.

 

– Conclusões do Seminário Internacional

O presidente da OCB, Márcio Freitas, ressaltou durante o evento que “as cooperativas já praticam o desenvolvimento sustentável. O problema é que não estamos sabendo mostrar isso ao mundo. Precisamos aproveitar essa adesão às metas da ONU para divulgar com mais eficácia, para sermos reconhecidos por aquilo que já fazemos de melhor, que é melhorar a vida das pessoas”.

A opinião de Freitas foi corroborada pelo comentário da presidente da ACI, Monique Leroux: “Ficamos muito silenciosos ao anunciar o impacto das nossas iniciativas junto à sociedade, precisamos anunciar ao mundo o que fazemos”.

O diretor da ONU, Maxwell Haywood, ainda complementou: “As cooperativas não podem ser tímidas, precisam ser ativas em comunicar o seu importante papel na sociedade, reforçar e promover a identidade cooperativista e seus empreendimentos diferentes, que visam além do lucro”.

Uma iniciativa que já está sendo tomada a esse respeito é o projeto Co-ops for 2030 – apresentado também durante o Seminário Internacional pelo diretor de política da ACI, Rodrigo Gouvea.

O Co-ops for 2030 é uma ferramenta online em que todas as cooperativas poderão conhecer melhor as metas da ONU, além de incluir informações sobre projetos que desenvolvem e que estejam alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Conheça o Co-ops for 2030: http://www.coopsfor2030.coop/en

Conheça também o Sicoob – o maior Sistema Cooperativo Financeiro do país.

Sicoob

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